Nome pelo qual ficou conhecido o conjunto de casas noturnas, localizadas entre os edifícios de números 21 e 37 da rua Duvivier, em Copacabana (RJ), inauguradas na década de 1950, sendo cenário do samba-canção, interpretado por Dolores Duran, Sylvinha Telles e Marisa Gata Mansa.

Consta que o nome se tenha originado a partir da atitude de alguns moradores vizinhos, que costumavam arremessar garrafas em reação ao barulho feito pelos freqüentadores do local. Foi batizado por Sérgio Porto inicialmente como Beco das Garrafadas, reduzido mais tarde para Beco das Garrafas.

No início dos anos 1960, tornou-se conhecido como o “Templo da bossa nova”, com destaque para as boites Baccara, e principalmente Little Club e Bottle’s Bar, ambas de propriedade dos irmãos italianos Alberico e Giovanni Campana. Em seus pequenos espaços, abrigavam pocket-shows assinados com criatividade pela dupla Miele e Bôscoli, responsáveis pela direção, pelo som e pela iluminação. Além dos musicais noturnos, havia também as matinês de domingo, que reuniam músicos amadores e profissionais.

O Beco das Garrafas, abrigou, nos anos 1960, o melhor da bossa nova instrumental. Ali se apresentavam Sergio Mendes, Luiz Eça, Luís Carlos Vinhas, Salvador e Tenório Jr., Raul de Souza, J.T. Meireles, Cipó, Paulo Moura, Maurício Einhorn, Rildo Hora, Baden Powell, Durval Ferreira, Tião Neto, Manuel Gusmão, Bebeto Castilho, Dom Um Romão, Edison Machado, Airto Moreira, Wilson das Neves, Chico Batera, Vítor Manga e Hélcio Milito, entre outros músicos.

Entre os cantores, ém de Sylvinha Telles e Marisa Gata Mansa, Dóris Monteiro, Claudette Soares, Alaíde Costa, Leny Andrade, Flora Purim, Nara Leão, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Sílvio César, Agostinho dos Santos, Jorge Ben, Wilson Simonal, Pery Ribeiro e Elis Regina.

Outro personagem de destaque no Beco das Garrafas foi o dançarino, coreógrafo e cantor Lennie Dale, que, além de dirigir vários shows ali apresentados, sendo muito exigente com relação à necessidade de ensaio, aproveitava o espaço vazio do Bottle’s durante as tardes para ministrar aos artistas aulas de expressão corporal.

BIBLIOGRAFIA CRÍTICA:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Edição Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008.

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